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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As moedas de prata

(Conto de autoria do autor do blog)

Dois irmãos, jovens no inicio da adolescência cavalgavam lado a lado conversando distraídos pela estrada quando encontraram um velho sentado junto a uma pedra com uma cesta de palha aos seus pés. Os dois pararam em frente ao idoso, e o irmão mais velho falou.
- Não temos dinheiro senhor, somos apenas agricultores, pobres como o senhor.
O velho ergueu seus olhos cansados que fitaram os dois jovens belos acima dele, ele ergueu a mão com a cesta.
- Não quero dinheiro, passo fome, é comida do que preciso.
Os dois irmãos se entreolharam, tinham comida, mas também tinham fome, queriam ajudar o velho mas a situação dos dois era precaria.
- Aqui senhor - disse o mais novo penalizado, dando ao idoso um pão que trazia consigo
O irmão mais velho vendo o ato tomou ocragem para fazer o mesmo e entregou ao idoso uma maça que trazia consigo.
- Obrigado! Obrigado!! - disse feliz colocando a comida no cesto.
- Não precisa agradecer, você necessita disso mais do que nos - falou o mais velho dando um leve sorriso.
Os dois já se preparavam para voltar a cavalgada mas o velho os deteve.
- Esperem, tem uma coisa para vocês, como agradecimento.
Dito isso ele procurou em suas roupas imundas e deu a cada um uma maravilhosa moeda de prata. Não era uma moeda comum, ela brilhava com uma intensidade estranha, como se produzisse luz própria, ao tocarem as moedas os irmãos perceberam que elas eram frias, tão frias como um bloco de gelo.
- Que moedas lindas - exclamou o mais novo deslumbrado - são de prata, mas elas parecem tão especiais que devem valer uma fortuna!
O velho olhou-o com intensidade e assentiu.
- De certo valem, vendendo-as vocês poderiam ficar ricos.
- Se são tão valiosas assim porque você não as vendeu? - perguntou o mais velho confuso, fitava a moeda interruptamente  havia algo de poderoso nela, ele sentia.
- Porque são magicas - exclamou o velho com uma voz profunda e com seriedade - essas moedas tem um valor muito maior do que vocês podem imaginar, muito maior qualquer ouro ou prata possa lhes dar. Guardem-as com cuidado, elas são um talisma poderoso.
Os dois irmãos continuaram a ficar as moedas magicas. Curioso o mais novo perguntou.
- Se são tão valiosas assim porque você esta nos dando?
O velho sorriu um sorriso cheio de dentes amarelos.
- Porque já tenho uma, e isso é o bastante.

Os dois jovens voltaram a sua caminhada e se dirigiram para casa. O irmão mais novo seguiu a risca as instruções do velho, e por mais tentador que fosse vender a morda, a guardou consigo  mantendo-a sempre ao seu lado. O mais velho porem agiu diferente. fascinado com a riqueza que conseguir vendendo a moeda assim o fez. Ele então percebeu que as palavras do velho eram verdadeiras, ao vende-la ele ficou rico. Ele a vendeu para um rei que possuia grandes posses, este lhe deu metade de sua fortuna em troca da misteriosa moeda.

Anos se passaram, para o irmão mais velho estes anos foram fartos e cheios de prazeres, para o mais novo foram difíceis e penosos, ele possuía poucos bens e vivia de forma precária em um vilarejo pequeno. Passados sete anos o irmão mais velho visitou-o, veio em uma carroça dourada magnifica, puxada por dois majestosos e fortes cavalos bracos. Ele saiu da carroça, vestindo vestes finas e de boa qualidade, e com um sorriso superior de triunfo se dirigiu ao irmão.
- Então irmão, vejo que ainda continua a viver na casa minuscula que nossos pais nos deixaram. Pelo que vejo ainda deve carregar aquela moeda que o velho lhe deu.
- Ele disse que era magica -retrucou o mais novo - e eu sei que você sentiu que era - disse apertando entre os dedos um saquinho que levava preso a cintura, nele estava a moeda - ainda me impressiona a forma que ela brilha, e a sencação ao toque... é fria é sempre fria.
O mais velho riu em deboche.
- É magica irmão, me fez de um homem pobre e sem valor a uma pessoa rica e cheia de posses, a magia mais forte que essa?
O irmão mais novo não concordava com aquela opinião, mas sabia que continuar com aquela discussão era inútil já que nenhum dos dois cederia. O mais velho então, orgulhoso de suas novas posses convidou o mais novo para conhecer sua nova casa, este aceitou.

O mais novo subiu na majestosa carruagem do irmão e eles então deram inicio a viagem. A carruagem se locomovia rapidamente e a viagem parecia tranquila ate que um inesperado deslizamento de terra atingiu a ambos, e então os irmãos morreram.

Ao acordarem os dois se encontraram em um local frio e úmido  perceberam então estarem no Hades, o mundo dos mortos. Os dois irmãos se aproximaram do rio infernal e foram recebido por um sombrio barqueiro, seu nome era Caronte, e ele dissera aos irmãos que tinha como função levar as almas para a travessia da alem vida em seu barco, mas que para isso era preciso que eles pagassem a passagem.
- Sem problemas! - disse o mais velho confiante dando uma moeda ao barqueiro.
Caronte recusou com um gesto negativo com a cabeça. Ele então ofereceu mais ouro, seus braceletes de bronze, seu anel de rubi e ate mesmo uma magnifica espada forjada com pedras preciosas que carregava, mas a todos o barqueiro recusou.
O irmão mais novo então se lembrou de sua moeda que carregara a vida toda, ele se lembrou das palavras que o velho lhe dissera anos atras "já tenho uma, e isso é o bastante" sim, finalmente ele havia compreendido  era preciso apenas uma moeda para dar ao barqueiro, por isso o senhor não se preocupou com as demais e as deu.
O irmão mais novo deu a moeda de prata a Caronte, este fez um aceno positivo com a cabeça e o deixou entrar no barco. O outro irmão gritou e ameaçou o barqueiro de todas as formas, mas este o negou a passagem, e levou apenas seu irmão pela travessia da alem-vida.

Quanto ao irmão mais velho, este impedido de continuar sua passagem para a outra vida, voltou ao mundo dos vivos como um fantasma, e passou a vagar pela eternidade em sofrimento, preso ao passado e ao seu terrível erro de ter vendido a moeda.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mifesto e Diniesta

(Esta conto não faz parte do acervo antigo de mitos gregos. Foi na verdade criado por mim, tomando como base os vários mitos existentes, tornando este mito "Mifesto e Diniesta" um acervo "adicional" e como podemos dizer "Não oficial" da mitologia grega)

Em Delos vivia um casal de jovens que nutriam um pelo outro um enorme amor. Diniesta era uma moça bela e pura, possuía toda a beleza que as mulheres possuem quando estão na flor da idade. Mifesto, seu noivo era uma pessoa simpática e honesta. Os dois estavam prestes a se casar, porem poucos dias antes do casamento um imprevisto aconteceu. Chegou a noticia que o pai Mifesto, Daviste, estava muito doente, e suas forças o abandonavam a cada dia.

Preocupado com a situação, Mifesto decidiu partir para Atenas, aonde seu pai vivia. Ele pediu a sua noiva que esperasse pois assim que voltasse de viagem o casamento dos dois seria consumado. Diniesta ficou muito triste, mas compreendendo a grave situação do marido deixou-o ir.

No dia seguinte a ida do marido, Diniesta pegou todas suas joias e colares de ouro, foi ate o ferreiro da cidade e pediu a ele que derrete-se o ouro e com ele fizesse uma estatua de Hera. O ferreiro aceitou o trabalho, e ao fim de cinco dias e de cinco noites, deu a noiva uma estatua em miniatura da deusa.

Diniesta ofereceu a estatua de ouro a Hera, pedindo-a que cuidasse de seu noivo em sua viagem, e que o trouxesse em segurança de volta para ela.

Do alto do Olimpo a deusa dos casamentos ouviu as preces de Diniesta. Comovida com todo o amor desta e pelo fato dela ter se desfeito de suas preciosas joias, que eram de grande valor, para pedir o regresso do noivo, Hera consentiu em ajudar a mortal. A deusa pediu ao vento Zefiro que soprasse forte e assim fizesse com que o navio que transportava Mifesto chegasse rapidamente ao seu destino.

Quando Mifesto chegou em Atenas ele visitou seu pai. Daviste, estava deitado em sua cama, fraco, os anos já a muito pesavam em suas costas e a hora dele morrer era próxima. Por trés dias o filho ficou ao lado do pai, velando seu sono e lhe atendendo a todos os desejos. Porem ao amanhecer do quarto dia, Daviste estava morto.

Hera novamente tentou intervir. Apos passar tanto tempo observando o noivo, ficou tocada por saber que seu casamento seria repleto de lagrimas pela morte de Daviste. Assim ela convocou a Isis, a mensageira dos deuses, e lhe pediu para que fosse ao mundo subterrâneo para falar com Hades e lhe pedisse que devolvesse o homem ao mundo dos vivos.

E a deusa foi. chegando ao mundo subterrâneo  ela lhe transmitiu a mensagem de Hera. Hades porem, já tinha a alma do falecido em seu poder, e regressa-la ao mundo dos vivos seria abrir mão do que era, por direito seu. O deus recusou ao pedido de Hera, e assim Isis voltou ao Olimpo para trazer a deusa as más noticias.

Hera ficou furiosa, mas sabia que nada que fizesse faria o senhor do mundo subterrâneo mudar de opinião  Abalada em ver a tristeza de Mifesto, Hera enviou novamente Isis ao mundo inferior, desta vez pedindo-lhe ir ate Hipnos e pedir ao deus dos sonhos que ao menos deixasse pai e filho se reencontrarem em um sonho.

Hipnos aceitou. E na quinta noite, Mifesto dormiu entre lagrimas, enquanto recordava do pai. Ao dormir o noivo sonhou com seu pai, mas não como da ultima vez que o vira. Mifesto viu Daviste com as forças renovadas e cheio de energia. Pai e filho se abraçaram e Daviste pediu ao filho que limpasse suas lagrimas e voltasse a sua terra pois la sua noiva o esperava. Disse-lhe que ele não podia chorar mais pelo passado e sim pensar no lindo futuro que teria com sua mulher.

No amanhecer do outro dia Mifesto acordou disposto e determinado. Ele foi ate o porto determinado a voltar o mais rápido possível para os braços de Diniesta. Chegando lá pediu para viajar no primeiro barco que fosse a Delos. Os capitões porem estavam temerosos e nenhum ousava viajar naqueles dias. Os mares estavam turbulentos e agitados e entrar nas águas e enfrentar um mar desses era o mesmo que enfrentar a ira de Poseidon.

Mifesto procurou por todos os capotões de Atenas, mas eles diziam sempre a mesma coisa. O jovem já estava perdendo as esperanças quando um capitão mais forte e valente que os demais aceitou seu pedido. Meferon era seu nome, ele dizia não temer o mar por mais raivoso e impiedoso que ele fosse, pois nem mesmo Poseidon conseguiria impedi-lo de atravessar as águas  Mifesto pagou uma grande quantia em dinheiro para que pudesse viajar no navio de Meferon, então, naquele mesmo dia eles e os demais tripulantes partiram com os mares agitados a os aguardar.

Poseidon ouvindo as palavras de Meferon e irado com sua ousadia decidiu punir o capitão Ateniense. O deus lançou uma forte tempestade, porem o capitão mestre em sua arte comandou habilmente o navio e assim passou ileso pela perigosa provação. O deus ficou furioso, decidiu a acabar com o mortal, mas sabendo que a tempestade falha-rá mudou de estrategia. Fez com que as águas se tornassem calmas e inertes, e ordenou que os ventos parassem de soprar. Uma grande calmaria se fez, impedindo o avanço do navio e ameaçando matar a todos de fome.

Meferon porem não se intimidou. Ordenou que todos seus homens pegassem nos remos e juntos, usando apenas as forças de seus braços eles moveram o navio pelas águas Poseidon já estava ficando desesperado, o navio de Meferon chegaria em Delos em questão de poucos dias. O deus temia ser derrotado por um mero mortal em seus próprios domínios. Ele então lançou sua mais poderosa arma contra Meferon, algo tão destruidor que nenhum homem poderia resistir, as sereias.

Quando navegavam tranquilos e certos de sua chegada em segurança os tripulantes começaram a ouvir um canto distante. Era um som divino que dançava no ar e os encantava, uma melodia doce e convidativa. Nem mesmo Meferon conseguiu resistir a magia daquela musica. Ordenou para que navegassem em direção ao som. O navio seguiu este rumo e logo todos viram uma linda corte de sereias, elas estavam nuas, com os cabelos ondulando livremente ao vento, sentadas em uma cadeira de rochas pontiagudas. O navio se aproximou mais e mais das sereias. Os homens ao velas ficaram ainda mais apaixonados e navegaram com ainda mais fervor.

Antes mesmo que qualquer um desse conta o casco do navio se chocou contra as rochas, então era tarde demais. Em questão de minutos ele afundou levando todos junto. Meferon ousado e imprudente em sua astucia, condenou a todos por seu erro.

Do alto do Olimpo Hera que a tudo observava ao ver o perigo em que Mifesto se encontrava a deusa interviu. Ordenou ao vento Zefiro que intervisse novamente e tirassem o jovem do mar e o levassem em segurança para ilha de Delos.

Ao chegar em casa em segurança Mifesto finalmente se casou com Diniesta. Festas honrosas foram formadas. Hera para consagrar o amor do novo casal lhes presenteou com ricas joias e acessórios de ouro.