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domingo, 26 de agosto de 2012

Deus favorito



Bom gente, todo mundo tem seu deus favorito, sempre tem um a qual nos identificamos mais, gostamos mais e achamos mais interessantes. O contrario também é verdade, sempre a um deus a qual não gostamos não "vamos com a cara" ou simplesmente gostamos menos.

Normalmente aqui no blog tento passar de forma imparcial as informações sobre os deuses, heróis, mitos ou seres misticos, mas eu apenas tento. É impossível para qualquer pessoa ser totalmente imparcial, talvez apenas as maquinhas sejam (e talvez nem elas sejam...).

Então dando minha resposta a famosa pergunta "Qual seu deus favorito?", no caso dos deuses gregos o meu deus, ou melhor a minha deusa favorita é Demeter.

Sempre tive uma forte empatia com ela. A relação Demeter/Persephone é muito interessante, e se analisarmos com atenção não foi a deusa da agricultura quem conseguiu rachar com o sistema fortemente patrilinear da Grécia antiga? O mito de Demeter e Persephone é um dos poucos em que mostra a vontade feminina. A busca incansável de Demeter pela filha superar o poder masculino representado por Hades.

Demeter é gentil, amorosa e bondosa, mas todos tem defeitos, e deuses não são exceções. A deusa da agricultura representa uma mãe cuidadosa e atenciosa, porem apegada demais a filha no sentido de não querer que ela siga com seus próprios pés. Ela é uma mãe super protetora, que cria um ninho aconchegante e quentinho para abrigar Persephone, protegendo-a de todos os males do mundo. Isso só demonstra o quanto ela é dependente de Persephone, ela é cega e não enxerga que a filha precisa sair desse ninho para se tornar uma deusa mais independente e melhor. Demeter/Persephone representam um estado a qual todos temos dificuldade em ultrapassar. É aquela época em que temos que sair dos braços amorosos da mãe para ganhar o mundo e conquistar nossa independência.




Sereias


Não se sabe ao certo a historia acerca do nascimento das sereias na mitologia grega. Mas é fato que elas estão presentes nos mitos gregos, fato que pode ser visto na busca pelo velocinio de ouro.
As sereias são seres de rara beleza, com a parte inferior do corpo de peixe, e a superior humana. Atraentes e sensuais elas atraiam os marinheiros com seus cantos exóticos. Um parenteses que merece atenção, o canto é capaz de mexer com os sentidos das pessoas. 
As sereias são uma das varias personificações do arquétipo da mulher sedutora e perigosa, a Femme fatalis, elas se assemelham as sensuais e sombrias vampíras, as irresistiveis demonias succubus, dentre muitas outras.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Narciso


Filho do rio Cefiso e da ninfa Liriope. Narciso logo ao nascer era de uma beleza impar. Nunca havia se visto tamanha beleza nem mesmo entre os imortais.
Assim começa o mito, e logo podemos fazer algumas observações sobre o mesmo. É comum nas historias gregas haver um limite, uma "linha invisível", que delimita os limites humanos. Ultrapassar esse limite (propositalmente ou não) é um erro fatal, pois um mortal não deve jamais competir com os imortais. Eles são ciumentos e vingativos, e estão prontos para punir severamente aqueles que os desafiarem.
Narciso é uma dessas pessoas que ousou ultrapassar os limites humanos, podemos fazer uma analogia com a historia de Icaro que por tentar voar alto demais para alcançar o sol teve suas asas derretidas e morreu tragicamente afogado. O destino do filho de Liriope é, literalmente, o mesmo.
Narciso cresceu, um jovem bonito ao qual todas as mulheres da Grécia se apaixonavam. Todas as cortejavam, mas Narciso orgulhoso demais de sua beleza amava apenas a si próprio, sendo incapaz de ver alguma beleza nos outros, assim dispensava todas suas admiradoras com frieza.
Preocupada com o filho, Liriope foi consultar um velho e cego profeta Tirésias. Ela perguntou ao profeta sobre o futuro de Narciso e o velho respondeu que contanto que ele nunca visse seu reflexo, Narciso teria uma vida longa.
Apos ouvir as palavras de Tiresias, a mãe de narciso jogou fora todos os objetos refletores e aconselhou ao filho jamais contemplar o próprio reflexo. 
Narciso assim fez, e por anos viveu sem problemas, um dia porem enquanto se banhava as margens de um lago ele acabou contemplando por acidente seu rosto refletido nas águas. Narciso se apaixonou pela imagem que viu, como foi dito ele era uma pessoa fútil incapaz de amar aos outros, seu amor se restringia apenas a sua própria pessoa, a sua beleza, e apos ver seu reflexo ele mergulhou nas águas do lago, nadando desesperadamente atras de seu reflexo. Narciso morreu afogado e de onde ele morreu nasceu uma flor de rara beleza chamada Narciso.

É preciso uma rápida observação sobre a flor-narciso, ela é descrita como "bonita e inútil" de uma enorme beleza, porem era apenas bela e nada a mais. Outro ponto interessante e importante para ressaltarmos é que Narciso nasceu de uma ninfa com um rio, tendo assim suas origens em seres que representam as forças da natureza. Ele morre na aguá e se torna uma flor, mostrando sua relação com os poderes da natureza.

Foi em homenagem a Narciso que foi criado o termo Narcisismo, usado para definir pessoas preocupadas apenas consigo mesmas, egoístas, e excessivamente orgulhosas, fúteis e incapazes de ver beleza em algo que seja diferente de um espelho.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Analise arquetípica dos deuses gregos

Anteriormente eu postei aqui no blog, uma analise dos arquetípicos dos deuses gregos (masculinos). Hoje venha completar o quadro adicionando também as deusas. O quadro consta de dados apenas dos principais deuses olimpicos, material retirado dos livros Mitologia grega Vol II e III de Junito de Souza brandão.


Zeus
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente racional, intuitivo e sensível.
Dificuldades psicológicas: Autoritário, cruel por vezes, Inflação, imaturidade emocional.
Pontos de apoio: Hábil no uso do poder, resoluto, prolífico.

Poseidon
Visão psicológica Junguiana: Ora introvertido, ora extrovertido, definitivamente sentimental.
Dificuldades psicológicas: Emotividade destrutiva, instabilidade emocional, excessiva autoestima.
Pontos de apoio: Leal, fácil acesso aos sentimentos.

Hades
Visão psicológica Junguiana: Definitivamente introvertido, definitivamente sensível, vive alheio ao tempo.
Dificuldades psicológicas: Inadequação social, distorção da realidade, depressão, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Mundo de imagens interiores, rico, desprendido.

Apolo
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, intuitivo, reflexivo, visão do futuro
Dificuldades psicológicas: Arrogância, distanciamento emocional, age a distancia.
Pontos de apoio: Sabe apreciar a claridade e a forma, hábil em atingir metas.

Ares
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente sentimento e sensação, vive o presente.
Dificuldades psicológicas: Reação emocional, abusivo,  intempestivo, bode expiatório, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Integração psicossomática, expressividade emocional.

Hermes
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertido, definitivamente intuitivo, geralmente mediativo.
Dificuldades psicológicas: Impulsivo, visão do presente, passado e futuro, "Adulescens aeternus".
Pontos de apoio: Capacidade para compreender significantes e significados, amigo, comunicador de ideias.

Hefesto
Visão psicológica Junguiana: Definitivamente introvertido, definitivamente sentimento e sensação, busca do presente.
Dificuldades psicológicas: Inadequação social, bufão, baixa autoestima.
Pontos de apoio: Criatividade, engenhosidade, habilidade manual, capacidade para ver e criar o belo.

Dionisio
Visão psicológica Junguiana: Ora extrovertido, ora introvertido, definitivamente sensação, vive o presente imediato.
Dificuldades psicológicas: Distorção na autopercepção, abuso da essência.
Pontos de apoio: Apreciação da experiencia sensorial, intensidade apaixonada, amor a natureza.

Atená
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertida, definitivamente reflexiva, normalmente pouco sensível.
Dificuldades psicológicas: Distante emocionalmente, astuciosa, carente de empatia.
Pontos de apoio: Ágil em pensar com acerto, objetiva na solução de problemas,sempre disposta a formar solidas alianças com os homens.

Hera
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertida, normalmente sensível, normalmente carinhosa.
Dificuldades psicológicas Ciumenta, vingativa, rancorosa, inábil em romper uma relação destrutiva.
Pontos de apoio: Fiel, capaz de manter para sempre os compromissos assumidos.

Artemis
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertida, normalmente intuitiva, normalmente sensível.
Dificuldades psicológicas: Distante emocionalmente, cruel, rancorosa.
Pontos de apoio: Hábil na consecução de seus objetivos, autônoma, independente, amiga das mulheres.

Afrodite
Visão psicológica Junguiana: Definitivamente extrovertida, definitivamente sensível.
Dificuldades psicológicas: Prodiga em relacionamentos amorosos, promiscua, lenta em avaliar consequências.
Pontos de apoio: Sagaz em desfrutar da beleza e do amor, sensual e criativa.

Hestia
Visão psicológica Junguiana: Definitivamente introvertida, normalmente sensível e intuitiva, normalmente recatada.
Dificuldades psicológicas: Distante emocionalmente, socialmente carente.
Pontos de apoio: Amante da solidão, espiritualmente criativa.

Deméter
Visão psicológica Junguiana: Normalmente extrovertida normalmente sensível.
Dificuldades psicológicas: Depressiva, introvertida, dependente como agente de nutrição, inábil em planejar a gravidez.
Pontos de apoio: Habilitada para a maternidade e para a nutrição, generosa.

Persephone
Visão psicológica Junguiana: Normalmente introvertida, normalmente sensível.
Dificuldades psicológicas: Depressiva, manipulável, voltada a fantasia.
Pontos de apoio: Receptiva, imaginosa, sonhadora.

sábado, 28 de julho de 2012

Livros: Mitologia Grega

Venho aqui apresentar minha mentora de mitologia grega, uma escelente enciclopedia dividida em trés volumes, com um rico material de mitologia grega, um estudo aprofundado dos deuses, mitos e dos arquetipos apresentados.
Tal obra se chama "Mitologia grega" de Junito de Souza Brandão publicado pela Editora Vozes.






Orfeu



Orfeu nasceu na Trácia, filho de Apolo e de Caliope (uma das nove musas), era um excelente musico, cantor e poeta, sua maestria com a lira era tanta que quando ele começava a tocar os animais selvagens o seguiam, as arvores inclinavam suas copadas para ouvi-lo e ate os homens mais coléricos se acalmavam.

Orfeu era casado com a ninfa Eurídice a quem era profundamente apaixonado, um dia a jovem morreu com a picada de uma serpente, inconformado e abalado com uma imensa tristeza e depressão Orfeu resolve descer a profundeias do Hades para recuperar sua amada. O poeta trácio desceu ao Hades, la encontrou o barqueiro Caronte que apos ouvir seu apelo desesperado aceitou leva-lo ate o deus do mundo subterrâneo. Chegando a presença de Hades e Persephone Orfeu tocou a mais bela e linda canção, a sua lira chorou ecoando notas que expresavam toda a dor e sofrimento do poeta. comovidos Hades e Persephone deixaram que ele levasse Eurídice de volta ao mundo dos vivos, mas lhe impulsarem uma condição, ele seguiria a frente e a esposa seguiria seus passos, mas por hipótese nenhuma Orfeu deveria olhar para trás, apenas quando estivessem saído dos domínios de Hades.

Assim Orfeu fez, junto de Eurídice ele percorreu quase todo o Hades, mas quando estava muito próximo de sair do mundo dos mortos foi assolado por uma duvida mortal, e se Eurídice não estivesse atrás dele? E se tudo não passasse de um cruel ardil do deus? Não aguentando mais Orfeu olhou para trás, ele viu Euridice que sumiu se esvaindo para sempre. Orfeu ainda tentou retornar a Hades e lhe implorar novamente pela alma da esposa, mas Caronte não o permitiu.

O mito de Orfeu nós ensina um valiosa lição, que devemos seguir sempre em frente, apesar dos problemas e dos obstáculos que a vida nós impõe, o filho de Caliope não conseguiu superar a morte da esposa, volta ao hades regressa para tentar recupera-la, e analisando o mito que percebemos o verdadeiro sentindo do olhar para trás Orfeu cometeu um erro comum entre os mortais nos contos gregos, ele tentou ultrapassar os limites, da mesma forma que Aracne ao se intitular melhor fiandeira que Atenas e tentar supera-la, ou que a Minos por não sacrificar o touro como Poseidon lhe ordenou, Orfeu como Icaro subiu demais, se aproximou demais do sol (do divino, pois os deuses são imortais e reinam acima da vida e da morte) e por isso foi punido.

domingo, 8 de julho de 2012

Pandora



Pandora (Pan = todo, dora = dons) pode ser entendido como "Aquela que possui todos os dons". Ela foi criada pelo deus Hefesto, a pedido de Zeus, para entendermos melhor sobre o nascimento de Pandora devemos voltar ate uma época anterior ao seu nascimento e contar a historia de Prometeu.

Prometeu era um deus que, acreditando no potencial dos humanos e em seus valores roubou o fogo que pertencia aos deuses e o deu aos humanos, nesse sentido o fogo pode ser entendido como a criatividade, o poder de criação e modelagem, o fato do fogo ter sido roubado das forjas de Hefesto, o deus forjador, e por consequência um artista genial, fortifica ainda mais a afirmativa de que ele representava não o elemento fogo literalmente, mas sim o poder de criação.

Porem tal fato não agradou em nada ao deus dos deuses, Zeus decidiu punir Prometeu, e assim o aprisionou em uma montanha aonde uma ave lhe comia o figado, por ser um deus Prometeu se regenerava e no dia seguinte a ave voltava para castiga-lo novamente.

Zeus decidiu também punir os humanos e para isso criou Pandora, como já foi dito "aquela que possui todos os dons" a Fenme fatalis a representação da mulher sedutora e irresistível que pode levar qualquer homem a ruína, no caso de Pandora ela não levou apenas um homem a ruína, e sim a humanidade inteira.

Hefesto forjou Pandora e cada um dos deuses lhe deu um dom especifico, então Zeus enviou Pándora aos humanos e lhe deu uma caixa, o pai dos deuses lhe ordenou a nunca abrir a caixa, embora ele soubesse que seria exatamente isso que ela faria.

Por inúmeros dias Pandora carregou a pequena caixa a qual conhecemos como "Caixa de pandora", ela era constantemente persuadida por vozes que saia da caixa que a ordenavam que abrisse-a, um dia ela não aguentou e abriu a caixa, dela saíram varios espíritos malignos, assustada Pandora voltou a fechar a caixa.

Desde então os espiritos malignos corromperam os corações humanos, o mito conta como a humanidade foi maculado por todos os tipos de pecado. Podemos ver uma forte semelhança com o mito cristão de Adão e Eva, que apos Eva comer o fruto proibido, a humanidade é corrompida pelo conhecimento do bem e do mal.

Voltando ao mito de Pandora, assustada e se sentindo culpada ela foi envolvida por um grande remorso e depressão, porem ela ouviu uma voz saindo da caixa, um espirito pedindo para que ela abrisse a caixa e o libertasse, falando que ele era o espirito que poderia tentar concertar todos os males que os outros espíritos fizeram. De inicio Pandora se negou, disse que não abriria a caixa, que ele era apenas outro espirito maligno, porem ela cedeu, sabia que a humanidade estava condenada e por isso apostou tudo no espirito e abriu a caixa.

O espirito que se libertou da caixa era a esperança ela adentrou no coração dos humanos e os inflamou, assim apesar de todos os males, e de quão ruim a vida esteja, os humanos teriam a esperança de uma vida melhor, e assim poderiam prosseguir.

O mito de Pandora é um dos mais belos de toda a mitologia grega, nele se mostra a tentação pela Fenme fatalis, a maculação dos seres humanos, e sua decadência, saindo da idade do ouro, e indo ate a pior das idades a idade do ferro (atual idade aonde vivemos), a historia divina segue um caminho inverso, vindo do caos e da desordem trazida pelos titas ate o brilho, esplendor e equilíbrio do Olimpo.